Gui e a Árvore

Infantil Rio de Janeiro
295 18

Família, o que significa? Acho que significa amor incondicional. Sabe por que?

Porque pode não ser a mais perfeita, a que se entende bem, ou a que não tem problemas, mas quando a coisa aperta e alguém precisa, você não consegue, você vai sair correndo, você vai se desesperar, porque aquelas pessoas são seus laços, são seu sangue, são seu suporte.
Esse pequeno fofuxo do Gui, é meu afilhado, e é lógico que não vou me cansar de fotografar ele. Eu não precisava registrar ele montando uma árvore de Natal, eu podia guardar na memória, mas não deu, e confesso que na hora eu nem liguei pra técnica, eu não liguei pra luz, eu não liguei pra nada, eu só liguei pra ver a alegria dele e guardar esse sorrisinho de lado me mostrando as coisas que ele pegava dentro da caixa, eu só me importei em registrar e guardar pra mim aquilo que eu tava vendo e que estava me enchendo de luz.
O Gustavo e o Guilherme, hoje, são as minhas prioridades, são os primos preferidos mesmo, são os seres nesse mundo que eu daria a vida se necessário, e isso desde a barriga.

E editando essa fotos, eu senti vontade de não postar, de não compartilhar, de guardar só pra mim, ninguém vai entender, eu pensei, elas nem estão muito boas, aliás, alguns fotógrafos provavelmente verão defeitos, rs.

Eu mesma vejo, tecnicamente falando. Mas então pensei, essas fotos me tocam, mas me tocam tanto, que eu acho justo compartilhar com as pessoas, talvez elas entendam um pouco do que eu busco com a minha fotografia, seja em um ensaio, ou em um evento, porque editando elas eu senti o que alguns clientes ja me falaram que sentem ao rever fotos que eu fiz, se emocionam lembrando do que aconteceu ou revivem sentimentos.
Eu ouvia minha vó rezando no sofá enquanto assistia ao velório do time do chapecoense, eu ouvia meu tio oferencendo uma cerveja pro meu namorado, eu ouvia minha tia gritando lá do quarto, o Gustavinho chamando pra jogar video game invés de tirar foto, e o Guilherme espalhando todas as bolas no chão e jogando todas elas na árvore enquanto meu avô ria e meu tio sentava pra mostrar como que as pendurava.
E isso não tem preço, toda vez que eu olhar pra essas fotos eu vou lembrar de um domingo vivido ao lado de pessoas que eu amo, um domingo que era triste e pesado por causa de um acidente horrível na ultima semana, mas duas crianças brincando conseguiram melhorar e encher a casa de graça.
Acho que é pra isso que essas fotografias e qualquer outra, seja de celular, seja como for tirada, serve... Para trazer de volta palavras, vozes, abraços, sorrisos, momentinhos como gosto de chamar, que parecem brisas suaves, que passam pela gente com o simples ato de olhar uma fotografia.